LUCRO SOB CONTROLE

Evolução dos comandos eletrônicos das injetoras garante a qualidade dos lotes de peças produzidas

 

Repetibilidade é palavra que sequer se encontra no dicionário mais conhecido do Brasil, o do Aurélio Buarque de Holanda. O termo, no entanto, soa como suave canção nos ouvidos dos executivos que trabalham em empresas ligadas à injeção de termoplásticos. Significa a produção de grandes lotes de peças com qualidade dentro dos limites especificados pelos projetistas, o que também pode ser traduzido por uma operação industrial que proporciona excelente retorno financeiro. 

A busca pela repetibilidade é um desafio antigo e complicado que depende de vários itens presentes nas linhas de produção, entre os quais merece lugar de destaque a possibilidade de as máquinas injetoras realizarem seus ciclos dentro dos parâmetros adequados de operação em todas as peças que produz. É nesse campo que a eletrônica tem dado grande contribuição para as transformadoras. Ajudadas pelo impressionante desenvolvimento da informática, vem ocorrendo um constante aperfeiçoamento dos controles eletrônicos oferecidos pelo mercado, que contam com recursos há poucos anos inimagináveis. 

Hoje, todos os parâmetros de funcionamento das injetoras calculados para a obtenção de um ciclo de injeção ideal são programados e controlados com elevados índices de precisão. O controle total do processo pode ser feito na hora por meio da análise de gráficos os mais variados. As máquinas podem ser interligadas em rede, o que permite a análise à distância e simultânea da produção de uma fábrica com muitos equipamentos. 

No caso dos controles mais sofisticados, as injetoras, com a ajuda de circuitos hidráulicos dotados de servoválvulas, chegam a fazer a correção de qualquer parâmetro que fuja das especificações desejadas em uma velocidade espantosa, que não ultrapassa a casa de alguns milésimos de segundo. Assim, se a matéria-prima apresentar qualquer pequena variação em suas propriedades, alguns modelos, por meio da avaliação da forma como ocorre a compactação da massa dentro da cavidade do molde, fazem as correções necessárias para que as peças sejam produzidas dentro das especificações desejadas. 

Divisão – Hoje, dois tipos de controles oferecidos pelos fabricantes podem ser encontrados no mercado. Um deles, mais antigo e usado, é o chamado controle lógico programável (CLP), baseado em tecnologia desenvolvida especialmente para uso industrial. A outra opção, mais recente, foi desenvolvida a partir da adaptação da plataforma Windows, da Microsoft, nos comandos das máquinas. 

Os dois tipos são encontrados com preços parecidos e oferecem recursos similares. A principal diferença entre eles é a forma como são operados. Como a tecnologia da Microsoft é predominante no mundo da informática, muitos acreditam que a operação da máquina que leva o Windows embarcado torna-se mais simples. Para provar tal afirmação, os defensores dessa tese lembram que o sistema permite a comunicação entre operadores e executivos da empresa via internet, e podem receber upgrades com maior facilidade. Outros acreditam que os CLP's, por serem originalmente desenvolvidos para fins industriais, apresentam maior robustez. As opiniões são divididas e os especialistas em informática não arriscam palpites sobre qual a tecnologia que irá predominar no futuro.

Seleção – Não é novidade para ninguém que os preços dos equipamentos, em especial dos mais sofisticados, são salgados. Os recursos que eles apresentam nem sempre são necessários para todos os transformadores. Por isso, a seleção correta do modelo mais apropriado é uma decisão das mais importantes para os usuários de máquinas. A escolha depende muito do tipo de peça que será injetada e da velocidade de ciclo desejada.
Habitualmente, os controles mais sofisticados são componentes quase obrigatórios para os fabricantes de peças técnicas ou de produção em larga escala. Já os produtores de peças cuja tolerância não atinge patamares tão críticos, podem adotar soluções mais simples e econômicas. “O ideal é que a escolha seja feita a partir de critérios rígidos, em parceria com os fabricantes das máquinas”, recomenda Cássio Saltori, engenheiro de vendas da Battenfeld do Brasil.

Como o bolso é forte auxiliar do cérebro na hora das tomadas das decisões, muitas vezes os transformadores, ao invés de adquirir máquina nova, optam por reformar a antiga. Um dos principais objetivos da medida é substituir os componentes eletrônicos por outros mais modernos, o que torna a máquina mais ágil e eficiente. 

Mais uma vez, a opção deve ser adotada depois de uma profunda análise de custo/benefício. Conforme a operação que a máquina executa, a reforma pode valer a pena. Mas, em muitos casos, a economia aparente acaba saindo caro. 

   ( fonte pesquisa.: Revista Do Plástico José Paulo Sant'Anna )